Rallye das Camélias desafia a adversidade e
volta a fazer história com edição emocionante
Entre intempéries, ajustes de última hora e uma complexa operação
logística, o Bilstein Group Rallye das Camélias 2026 foi para a estrada
graças a um esforço verdadeiramente hercúleo do Clube de Motorismo de
Setúbal, em estreita articulação com os municípios de Cascais, Mafra,
Sintra e Torres Vedras, que, perante a adversidade, não hesitaram em unir
esforços para garantir a continuidade de um evento com décadas de
história.
Mais do que uma competição, esta edição afirmou-se como uma demonstração de
resiliência coletiva, onde organização, autarquias, equipas e populações mostraram
que o Rallye das Camélias é hoje muito mais do que um evento desportivo: é um
património vivo do automobilismo nacional.
No final, o balanço não podia ser mais claro, como sublinhou Fernando Matias,
presidente do Clube de Motorismo de Setúbal. “Foi muito acima daquilo que eram
as nossas expectativas. Não foi fácil, depois de tantos contratempos e
alterações, conseguir colocar a prova na estrada. Foi, de facto, uma tarefa
hercúlea.” O responsável destacou ainda o apoio determinante de todos os
envolvidos: “Nada disto seria possível sem o apoio dos patrocinadores, das
câmaras municipais e, acima de tudo, das equipas, que estiveram sempre ao
lado da organização e nunca deixaram de acreditar.”
Também a resposta do público e o impacto gerado não deixaram margem para
dúvidas quanto ao sucesso da prova. “Estamos muito satisfeitos com aquilo que
conseguimos fazer. O Rallye das Camélias acabou por ser um grande sucesso.
Basta olhar para as redes sociais e perceber o feedback extremamente positivo
que recebemos”, acrescentou.
Domínio de Rui Madeira numa edição exigente
Em termos desportivos, a edição de 2026 ficou marcada pelo domínio claro de Rui
Madeira, navegado por Nuno Rodrigues da Silva, que impôs o seu ritmo desde cedo e
não mais largou o comando da prova. Depois de um primeiro troço ganho por Gil
Antunes, que chegou a liderar na fase inicial, Madeira assumiu a liderança na segunda
especial e nunca mais a perdeu, vencendo seis das oito classificativas disputadas e
construindo uma vantagem sólida até final.
Gil Antunes, acompanhado por Diogo Correia, rubricou uma exibição de grande nível e
garantiu o segundo lugar absoluto com todo o mérito, mantendo sempre uma toada
competitiva elevada e consistente ao longo do rali.
O pódio ficou completo com Carlos Fernandes e Valter Cardoso, que voltaram a
demonstrar a sua competitividade ao mais alto nível, sendo os melhores entre as
viaturas de quatro rodas motrizes fora da categoria Rally2. A dupla esteve sempre

muito forte, venceu uma classificativa e confirmou, uma vez mais, o seu estatuto como
referência da prova.
Nas duas rodas motrizes, o destaque foi para o jovem Afonso Santos, navegado por
Alexandre Rodrigues, que aproveitou o Rallye das Camélias para ganhar ritmo e
confiança tendo em vista a próxima ronda do Campeonato de Portugal de Ralis. O
piloto da PT Racing esteve sempre rápido, eficaz e consistente aos comandos do
Peugeot 208, evidenciando uma evolução muito significativa e confirmando o seu
potencial.
Num rali particularmente exigente, o número de equipas que lograram chegar ao final
assume especial relevância, refletindo não só a dureza do percurso, mas também o
elevado nível de preparação e resiliência dos participantes.
Espetáculo dentro e fora da competição
Para além da vertente competitiva, o Rallye das Camélias voltou a afirmar-se como um
verdadeiro espetáculo, dentro e fora das classificativas. A presença dos convidados
internacionais Vaidotas Žala e Paulo Fiúza, vencedores do Rally Dakar na categoria de
camiões, foi um dos grandes destaques, conquistando o entusiasmo do público e
contribuindo de forma decisiva para a projeção mediática do evento.
Antes da sua entrada em estrada, os espectadores tiveram ainda a oportunidade de
assistir à passagem de máquinas icónicas e equipas experientes que desempenham
funções essenciais na estrutura de segurança da prova. Entre os momentos mais
marcantes destacou-se o emblemático Audi Quattro S1 E2, conduzido por Alberto
Fraga e navegado por Filipe Alvarado, numa exibição que evocou a história e a
emoção do automobilismo de outros tempos.
Com um equilíbrio raro entre tradição e modernidade, superação e espetáculo, o
Rallye das Camélias voltou a afirmar-se como uma referência incontornável do
desporto motorizado em Portugal. E, como deixou claro Fernando Matias, o futuro já
está em marcha: “Estamos já preparados para começar, no próximo mês, a
trabalhar na próxima edição.”

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